23 de out. de 2014

Trust Me - Capítulo VI - Quase um Déjà Vu - Parte I



QUASE UM DÉJÀ VU - PARTE I


*Cinco dias depois.

Cher P.O.V.

Toquei a campainha umas três vezes e ninguém atendeu. Na quarta tocada Anne apareceu e vestia apenas uma blusa social com suas pernas de fora. Olhei-a de cima a baixo e soltei um sorrisinho debochado. James estava comigo e eu sabia que ele como homem olharia descaradamente. Anne me olhou sem expressão e apenas sobressaltou a sobrancelha esquerda, mas logo que avistou James atrás de mim sorriu descaradamente. Antes que eu metesse um soco que quebrasse aqueles dentinhos brancos, eu entrei na casa.
Depois de um dia e meio Chris teve alta e veio para sua casa, mas eu não pude fazer nenhuma visita por causa dos meus negócios que precisaram da minha máxima atenção. Mesmo assim sempre que dava tempo eu mandava uma mensagem ou até mesmo ligava para perguntar como ele estava e como estava a recuperação. Por sorte o tiro não atingiu nada que complicasse e ficasse grave. Eu não estendia nada de medicina e só entendia o que via nos filmes, quando o médio deu o diagnóstico de Chris no hospital foi como falar em chinês comigo e eu somente pedi para vê-lo. Subi a escada principal até o segundo andar da casa que era mais sofisticado e fui diretamente ao quarto que Chris que eu sabia exatamente onde era. Dei duas batidas na porta e escutei um “entra” lá de dentro.

- Como vai esse homem furado? – disse apenas colocando a cabeça dentro do quarto.
- Cher! – ele tentou levantar para me receber, mas voltou para a cama com feição de dor.
- Não se esforce, por favor. – entrei no quarto fechando a porta e me sentando ao seu lado. O ar-condicionado estava ligado no mais frio possível. – Não está tão calor assim para o ar estar nesse grau.
- Anne me encheu de cobertas e eu não conseguia me livrar delas, o controle estava aqui e eu aumentei o ar. – sorri.
- E como você está? – perguntei pegando na sua mão.
- Melhor. Quer dizer levando em consideração que eu odeio ficar deitado debilitado a várias coisas, mas recebo vários mimos de Anne e Charlote, isso é bom. – Charlote era a empregada mais doce do mundo. – É bom receber esses mimos de vez enquanto.
- Um menino carente de mimos. – dei leves gargalhadas. – Irá ter um racha domingo no Galho Quebrado, acho que vou dar uma passada lá.
- Eu também vou, mas não vou poder competir por sorte sua. Você vai ter uma chance de ganhar. – ele riu.
- Mesmo com um furo no corpo quer fazer piadinhas. E você não vai ao Galho Quebrado domingo.
- Só porque você quer. Eu já disse que vou.
- E eu estou dizendo que você não vai. – rebati me aproximando sem perceber.
- Cherry, eu vou. – disse autoritário.
- Já disse que não vai. – me aproximei ainda mais por puro instinto de peitar.
- Se você se aproximar mais vou ser obrigado a te beijar. – pisquei.
- Não seria louco a esse ponto Chris.
- Quer que eu prove minha queria Cher. – ele se aproximou.
- Tente e eu desço a mão nesse curativo. – sorri e me afastei.
- Você tem sorte que eu não faço o tipo masoquista. Mas escreva o que estou dizendo ainda vou te beijar. Agora pode descer e preparar um lanchinho? Estou com fome. – sorriu descaradamente.
- Acho que ninguém te mima você que é um aproveitador abusado, mas como estou de bom humor e também com fome eu vou. – levantei da cama e sai do quarto.

Desci a escada e me direcionei para a direita seguindo o corredor e cheguei à cozinha. Lá dentro estavam James e Anne que ria como uma um pato engasgado. Passei reto por eles indo até a geladeira e pegando algumas coisas para fazer um sanduíche como queijo e presunto. Peguei o suco na jarra e torrada, para acompanha-la peguei geleia de amora e amendoim. Coloquei tudo em cima do balcão do lado contrario deles ficando de frente a eles. Comecei a fazer meus sanduíches e eles não falaram mais nada e isso me fez olha-los.

- Algum problema? – perguntei tediosamente.
- Está fazendo para quem? – me respondeu com outra pergunta James.
- Para mim e Chris. – respondi voltando a fazer os sanduíches. Jurei ter ouvido um som de desagrado de James, mas preferir deixar de lado. Eles voltaram a conversar, mas dessa vez de um assunto aleatório e arrastado.

Passei as geleias nas torradas e peguei dois copos grandes no armário e servi um pouco do suco bebendo em seguida, era suco de uva. Coloquei dessa vez nos dois servindo até em cima. Peguei uma bandeja e coloquei os pratos com sanduíches e torradas e depois coloquei os copos. Iria guardar tudo na geladeira, mas decidi perguntar se James queria algo.

- Não. – ele disse somente.
- Faz um sanduíche para mim. – Anne pediu descaradamente. Olhei-a.
- Você tem duas mãos e dois pés, agradeça a Deus e faça você mesma. – disse curta e grossa. Ficou um silêncio de cerca de dois minutos enquanto eu guardava as coisas. Voltei para pegar a bandeja e levar até Chris, mas Anne decidiu abrir a boca novamente.
- Cherry eu sei que vacilei no passado, mas…
- Mas? – interrompi antes que ela começasse um discurso. – Não tem “mas” Anne. Eu poderia ter morrido e ai o que você ia fazer? Se não fosse James que corresse todos os riscos para poder me ajudar a fugir. Você além de colocar a mim em risco colocou seu próprio amigo. – disse alterada.
- Eu não fiz por querer…
- Mas foi um “não querer” que mataria até James. Como você ficaria se ele tivesse morrido? – ela abaixou a cabeça. – Aposto que nenhum pouco bem. Então não se ache no direito que falar comigo como se eu fosse uma das suas amiguinhas daquele puteiro da onde você veio. – sabia que falar isso a tirava do sério e eu fazia de propósito.
- Ótimo! – ela levantou e saiu da cozinha.
- Não precisava falar isso. – escutei James falar, mas não o olhei.
- Não precisava um monte de coisas James. Não precisava ela ter me traído a mim e a você, não precisava você continuar a falar com ela. Não precisava Chris levar um tiro e principalmente não precisava eu ter confiado e conhecido ela. – olhei-o e sai da cozinha com a bandeja levando para Chris.




*Domingo.

Durante toda a semana James dormiu na minha casa, todas as noites ele queria esquentar a cama. Eu não sabia que ele era viciado em sexo assim. Quase todas as noites eu correspondi, mas às vezes eu estava cansada, ficava acordada ate tarde no escritório e James sempre ia me buscar quando caía no sono sem perceber. Acordava na minha macia cama com um pijama de flanela e James abraçado ao meu corpo. Até agora estava indo tudo bem no nosso relacionamento. As coisas estavam fluindo naturalmente e eu estava gostando do rumo que isso estava tomando. Cada dia eu sentia algo a mais por James e ele a cada dia me tratava ainda melhor.
O que mudou, ou melhor, quem mudou, foi Katrinna. Principalmente quando estava com James, ela ficava um tanto ignorante e esnobe. Cada vez mais eu percebia o quanto ela gostava de James e começava a ficar insuportável, eu sentia o ciúme dela e a raiva que ela sentia por querer estar no meu lugar. Eu até poderia tentar conversar com ela, mas o que eu diria? Como iria chegar nela e falar “não precisar ter ciúme do meu namorado, a culpa não é minha se ele gosta de mim e não de você”? Além de que ela é minha amiga eu não poderia simplesmente chegar e dizer qualquer coisa. Na maioria das vezes eu tentava não ficar muito próximo de James quando ela estava. James não concordava muito com minha atitude, ele achava que ela tinha que aceitar e ponto. Mas eu não queria confusão com minha amiga por causa de homem. Eu tentei o fazer conversar com ela, mas chegamos à conclusão que James também não poderia falar com ela.
Estava me arrumando para a noite de pegas no Galho Quebrado. Tinha colocado um jeans escuro e uma blusa vermelha. Não coloquei nenhuma jaqueta já que iria de carro com James. Se fosse uma semana antes eu teria ido de moto. Coloquei um salto que estava praticamente novo pela falta de uso – prefiro coturnos, botas ou tênis. Enrolei o cabelo com babyliss e fiz um leve olho preto e fechei com um batom claro.

- Toda essa produção é para quem, posso saber? – virei e vi James parado na porta do quarto que ultimamente tem sido nosso. Sorri sem saber o que dizer exatamente.
- É para um cara ai. – disse depois de um tempo.
- Ele é muito sortudo, se me permite dizer. – ele veio até mim tirando meu cabelo do pescoço e beijando ali.
- Sabe quem é ele? – disse me virando para ele.
- Quem? – perguntou aproximando sua boca da minha.
- James Russo. Conhece? – passei os braços em volta do pescoço dele e ele abraçou minha cintura.
- Conheço um cara de sorte quando vejo um, mas nesse caso eu sou esse cara. – sorri e beijei ele e como todas as vezes parecia que era a primeira. Eu sempre sentia aquele frio na barriga. Era um dos fatos de eu amar beija-lo.
- Melhor irmos.
- Por quê? Podemos fazer nossa festa aqui mesmo, sem problemas. Não me incomodo.
- Oferta tentadora, de verdade. Mas eu realmente quero um pouco de ação. – disse me afastando e indo até a porta.
- Está dizendo que eu te dou sono, que não sou bom no que faço? – homens...
- Não James, você não me da sono… só de vez enquanto. E não é ruim no que faz ok? – sem que eu esperasse me prensou na parede do corredor.
- O que você disse?
- Que não é ruim. – repeti.
- Mas também não disse que sou bom, e eu quero escutar que sou ótimo. Sou espetacular. Que sou o melhor. – sussurrou no meu ouvido. Confesso que aqui me excitou pra caralho.
- Mas quem disse que você é? – brinquei com a onça com vara curta.
- Como é que é? – ele pegou meu copo colocando minhas pernas envoltas do seu quadril. O impacto das minhas costas na parede doeu bastante. Dei uma tapa na cara dele.
- Machucou minhas costas, ogro! – ele sorriu tinhoso.
- Como se você não gostasse de uma brutalidade e uma porradaria na cama Cher. – sussurrou e mordeu o lombo da minha orelha. Suspirei controlando o gemido que começara a subir na minha garganta.
- Coloque-me no chão James. Agora não é hora para isso. – disse rindo. Ele me desencostou da parede e desceu comigo em seu colo. Quando cheguei à escada eu pedi para que ele me descesse de seu colo, pois tinha medo dele me deixar cair. – James, por favor.
- Olhe para mim Cher. – ele pediu e eu assim fiz. James pegou com uma das mãos meu pescoço e trouxe-o para perto de seu rosto e depois beijou meus lábios. Levei minhas mãos para seu cabelo fazendo um carinho ali. Não me controlava quando seus lábios estavam nos meus, podia estar em qualquer situação que fosse eu sempre me deixava levar me esquecendo do mundo ao meu redor. O cabelo de James era até o pescoço e era macio e sedoso. Tinha um cheiro que até hoje não consigo decifrar, apenas sei dizer que é bom e que reconheceria em qualquer lugar no mundo. – Prontinho. – ele disse me colocando no banco do carona no carro. – De nada. – ele disse assim que percebeu que eu olhava sem entender como cheguei ali. Deu-me um selinho e deu a volta no carro sentando no banco do motorista. Girou a chave no carro e ele deu a típica tremida.
- Juízo crianças! – pude escutar Dorotéia gritar.




A musica nas caixas de som estava no último volume, tocava um remix de “We Can’t Stop – Miley Cyrus”. Por instinto comecei a cantar assim que sai do carro. Ele foi rodeado por pessoas que cumprimentavam a mim e a James. Cumprimentei a maioria deles e sorri para outros. Quando enfim sai da multidão que se formou avistei Katrinna e Alanna que dançavam descontroladamente, no mínimo elas estavam levemente alteradas com álcool. Logo atrás delas estavam Chris e Anne encostados no capô de um carro. Chris como sempre um teimoso que não aguenta ouvir um não ou ser contrariado. Passei pelas meninas indo até Chris que me olhava com um sorriso idiota no rosto, ele também bebeu.

- Não vou nem dizer que estou chateada com você Chris. E você. – me referi a Anne. – Como pode trazer ele e ainda deixa-lo beber? Ele está tomando antibiótico, sua doente. – praticamente gritei querendo meter a mão na fuça dela.
- Cher não briga com ela não, eu fugi de casa. Ela não teve escolha a não ser vir atrás de mim, mas quando ela chegou, eu já tinha tomado uma garrafa de vodca e fumado. – ele dizia com uma voz de criança inocente e fazendo feição de coitadinho.
- Chris, cale a boca. – o problema de quando ele bebê e fica bêbado ele meio que ‘’perde’’ a maldade das coisas. Mas na verdade ele fica lesado mesmo.

Depois de um tempo fui dançar com as garotas, Anne nos acompanhou também e dessa vez decidi não implicar e apenas deixa-la ficar conosco. Certas horas eu até dançava com ela apenas me deixando levar, apenas porque estava feliz. Katrinna estava – pelo incrível que pareça – sóbria, mas o mesmo não podia dizer de Alanna que estava praticamente dando pro primeiro que aparecesse e dissesse algo meia boca para levar para cama.
Na medida do possível eu a manteria nos meus olhos, mas eu não iria ficar sendo babá dela a noite toda. Alanna é maior de idade e uma mulher formada, sabe o que está fazendo – ou não.
Senti um par de mãos na minha cintura me puxando para trás fazendo bater em um corpo masculino. Pensando que era James deixei que as mãos passeassem em volta do meu corpo e me permitindo rebolar e fazer danças ousadas. Quando enfim vi James conversando com Chris de costas para mim do outro lado do Galho Quebrado meu corpo simplesmente paralisou. Virei meu corpo e dei de cara com os olhos castanhos muito bem conhecidos por mim nesses últimos dias.



Continua..
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Vocês realmente gostam a fanfic?
- Dricka.

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